Africa Eco Race: Mauritânia, o Gigante Adamastor

22 de Julho 2011, 13:21

Marcavam 23h30 quando arrancaram os quatro carros da imprensa e organização para uma incursão antecipada pelo deserto. Depois de uma interminável viagem de quase 1000 km até à Mauritânia, ganhou-se fôlego para somar mais 300 km até ao primeiro controlo de passagem (CP) da 1ªespecial na Mauritânia.

Uma longa viagem até às 3h30 da manhã, permitida apenas com o mínimo de quatro viaturas, já que ninguém da organização do Africa Eco Race arrisca autorizar alguma saída após o pôr-do-sol. Cautelas aplicadas num país onde a insegurança é assumida e os perigos são múltiplos. Circular de carro pela noite dentro é permitido, mas desaconselhável por memórias ainda recentes.

A primeira especial da Mauritânia fez jus às expectativas, uma etapa de 380 km que ficou marcada por 30 km de areia extra fina, com dunas que atraiçoaram a maioria dos concorrentes. Carros e camiões atolados na pista vezes sem conta e que resultaram em algumas mexidas na tabela de classificações.

«Bem-vindos à Mauritânia, à terra das surpresas e das noitadas no deserto» disse Elisabete Jacinto no final da corrida, justificando «quando parece que tudo está a correr bem, tudo muda. No princípio da especial era rápido, verde, não tinha areia, era fácil de fazer e cheguei a pensar que era fácil de acabar com um bom ritmo, até que chegámos a uma zona de dunas baixinhas, com um traçado fácil, mas a areia era tão mole que o camião recusou-se a andar, atolou várias vezes».

A piloto teve que usar todas as suas técnicas e manobras para conseguir pôr o camião a andar. Muitas rasteiras neste percurso que fazem perder tempo e que obrigam as equipas a uma grande preparação psicológica, já que passar uma noite no deserto é um receio que rapidamente se transforma em realidade.

O apelido 'gigante Adamastor' confirma-se já no primeiro dia de especiais na Mauritânia, com tormentas para quase todos os concorrentes que atolaram os carros, camiões e motas, alterando as previsíveis classificações deste rali raid.

Os imprevistos deixaram Elisabete Jacinto no 2.º lugar da etapa, 2.º na categoria de camiões e 7.º na geral. Uma prova que vai a meio, nas pistas mais complexas e que remete os prognósticos para o final da corrida. A confiança e a motivação são fundamentais e caracterizam o estado de espírito de Elisabete Jacinto que tem vindo a dar cartas no Africa Race.

Bruno Oliveira e Manuel Rosa continuam a representar Portugal no top ten da categoria automóvel. Apesar de todas as dificuldades sentidas, sobretudo nas dunas onde atascaram várias vezes, ultrapassaram mais um desafio rumo ao objectivo principal que é chegar a Dakar. Ocupando o 8.º lugar na categoria automóvel e 10.º na geral com camiões.

Segundo Manuel Rosa, «este dia ficou marcado pelos cerca de 30 km de areia fina e mole quase impossíveis de transitar». Para Bruno Oliveira a etapa de amanhã pode ser a mais dura, com 408 km entre Guelbagantour e Tenadi, a sudoeste de Nouakchoot na rota de L’Espoir que liga esta Nouakchoot ao Mali. «Não querendo deitar foguetes antes da festa, se terminarmos esta etapa já começamos a acreditar na chegada a Dakar».

No final do dia as equipas técnicas arregaçam as mangas e tratam das mazelas dos carros, motas e camiões, para que o dia seguinte seja seguro, rápido… e com boa esperança.

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