Envolvido em escândalo sexual, presidente da África do Sul pode virar "mascote" da Copa

22 de Julho 2011, 13:22

Polígamo, Jacob Zuma tem três esposas, mas teve uma filha fora dos relacionamentos; enquanto isso, empresa chinesa planeja fazer bonecos do político

CIDADE DO CABO (África do Sul) - A vida privada do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, sempre chamou a atenção. Adepto da poligamia, prática permitida pela cultura zulu, uma das mais fortes e tradicionais do país, Zuma tem três esposas, além de outras namoradas “oficiais”. Mesmo assim, o político acaba de se envolver em um novo escândalo.

Diversos veículos da imprensa local revelaram nos últimos dias que o presidente, aos 69 anos, foi pai de Thandekile Matina Zuma (sua 20ª filha reconhecida oficialmente), nascida há quatro meses. A mãe da criança, 20 anos mais jovem que Zuma, é Sonono Khoza, filha do presidente do Comitê Organizador Local da Copa (LOC) e amigo pessoal do presidente, Irvin Khoza.

Agora, a mídia local já especula que Sonono poderia se tornar a quarta esposa oficial do presidente, já que a menos de um mês ele se casou com a terceira - o casamento, na verdade, foi o quinto, pois além das três atuais, ele já se divorciou duas vezes.

Principal dirigente da organização do Mundial de futebol, Khoza não comentou o assunto, mas segundo o jornal Sunday Times ele teria dito a amigos que se sentiu traído e humilhado ao saber do relacionamento da filha com o presidente. Não são raras as vezes em que os dois dividem palanques em eventos nas cidades-sede da Copa.

Zuma também ainda não pôde ser questionado a respeito. Depois de participar do Fórum Econômico Mundial na última semana em Davos, na Suíça, o presidente agora participa de uma cúpula das nações africanas na Etiópia e só deve retornar nesta quarta-feira.

Representantes do Congresso Nacional Africano, partido do governo, preferiram tentar minimizar o episódio. O discurso oficial é de que são dois adultos livres e responsáveis e as vidas deles não devem ser discutidas publicamente. Mas a oposição vê no comportamento privado de Zuma um mau exemplo para a população.

“As pessoas podem argumentar que a vida sexual de Jacob Zuma é um problema particular de moral ou cultura, mas não é só isso. O comportamento pessoal dele tem profundas consequências públicas”, afirmou Helen Zille, governadora da província do Cabo Oeste e líder da Aliança Democrática, principal partido de oposição do país.

O problema apontado é de que, mais uma vez, o presidente ganha as manchetes por consequência de uma relação sexual desprotegida. O que, para seus adversários, entra em contradição com o discurso e campanhas oficiais de combate à Aids.

A África do Sul é o país com maior número de contaminados com o vírus HIV em todo o mundo, quase 6 milhões de pessoas. E a doença mata aproximadamente mil pessoas por dia no país. Em dezembro, no dia mundial de combate à aids, Zuma falou sobre a melhoria no acesso da população aos tratamentos, mas afirmou que “isso não significa que possamos ser irresponsáveis em nossas práticas sexuais. Não significa que as pessoas podem deixar de usar preservativos em cada relação”.

Mascote e presidente “made in China”

Curiosamente, ao mesmo tempo que ganha destaque negativo no noticiário, Zuma pode ser inspiração para um brinquedo infantil. Isso porque a empresa chinesa responsável pela fabricação de bonecos do mascote da Copa, o leopardo Zakumi, também estaria produzindo miniaturas do político para serem vendidas durante o torneio.

Essa, aliás, é outra polêmica atual no país da Copa. Os principais sindicatos de trabalhadores sul-africanos estão criticando duramente a decisão de ceder a uma empresa estrangeira o direito de fabricar produtos oficiais da Copa do Mundo.

Para o Cosatu (Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos), oportunidades como essa são a maior justificativa para a África do Sul sediar a Copa, já que a produção dos mascotes é um exemplo de como a realização do evento poderia ajudar na criação de empregos e incentivar o crescimento da economia local.

“Consumidores sul-africanos vão comprar os mascotes com preços superfaturados achando que estão fazendo um gesto patriótico, mas eles não sabem de onde os bonecos vão vir e como foram feitos”, afirmou a entidade em uma declaração oficial onde também destacou a concorrência desleal devivo aos salários ínfimo pagos aos trabalhadores chineses, considerados irreais até para a realidade africana.

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