Festa aberta no Zimpeto

4 de Setembro 2011, 01:30

Ao longo destas últimas semanas, houve quem dissesse que os Jogos Africanos nem se faziam sentir em Maputo. Pois, ontem, todas ideias e julgamentos mudaram. A meio da tarde, a vedação do Estádio Nacional do Zimpeto nem se via. Eram às centenas as pessoas que pediam para entrar na festa e ver de perto a cerimónia de abertura dos Jogos. Os portões acabaram por abrir, e a festa foi geral.

Demorou a começar. Quem entrou logo às 12 horas, teve muito de esperar. Mas não desesperou. Pelo contrário, brincou, cantou, pacientou. Lá fora, os músicos e dançarinos treinavam a sua vez de entrar no estádio, suando, como se as suas vidas dependessem disso. Crianças, adultos, adolescentes, todos pela mesma causa: fazer boa figura na cerimónia e não envergonhar o país. E muitos olhos africanos estavam virados para Moçambique.

Jornalistas, com o seu colete beje, eram mato nos corredores do Estádio, cada um falando a sua língua. Mas nada correu mal, muito graças ao público, que encheu as bancadas e não deixou esquecer a alegria que caracteriza o povo moçambicano.

A entrada do presidente da República, Armando Emílio Guebuza, e da sua esposa marcaram o ponto de partida para a festa. Mas não foi o ponto alto. O ponto alto não foi sequer a passagem das delegações de atletas dos 47 países participantes que confirmaram a sua presença no evento. O público gritou, dançou e aplaudiu vários países. Angola, África do Sul, Cabo Verde, Nigéria, Líbia e Tunísia receberam uma vaga de boas vindas estrondosa no estádio. Alguns pela proximidade cultural, outros porque fizeram uma festa quando passaram na pista. A Líbia e a Tunísia foram dois deles, chegando mesmo ao ponto de sair do corredor de atletas para atirar bonés e bandeiras ao público, que respondeu entusiasticamente. Mas nada se comparou à festa que os 493 elementos da delegação moçambicana provocou. Parecia que as bancadas iam cair quando a mestre de cerimónias anunciou a delegação de Moçambique. Não era só pela festa, não era só pela alegria contagiante. Era orgulho que movia aquelas pessoas a levantarem-se em uníssono, a aplaudirem os seus atletas, como se também o povo inteiro de um país estivesse ali, na pista.

“DECLARO ABERTOS OS X JOGOS AFRICANOS"

Às 19 horas, Armando Guebuza discursou perante um relvado cheio de cores, cada uma representando uma delegação. “Tenham uma boa estadia, ganhem medalhas, elevem as vossas marcas, divirtam-se e façam amizades. Sobretudo joguem com fairplay para que, realmente, ganhem os melhores!”. E com estas palavras declarou abertos os X Jogos Africanos.

O fogo de artifício rasgou os céus e a sensação foi de alívio, como se enfim o sonho se concretizasse e as portas se abrissem. A festa foi geral entre as delegações. A moçambicana logo se juntou no esquema sul africano que todos conhecem, e quase fez a festa sozinha, perante os atletas estrangeiros que não conheciam a coreografia, mas sorriam também com o espectáculo. 

Marta Curto

SAPO

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