FIBA África com mãos atadas

22 de Julho 2011, 13:17

A FIBA-África não sabe onde organizar o Afrobasket2011, depois da desistência da Côte d´Ivoire e da situação política que assola o Egipto, sede do órgão reitor da modalidade.

Esta terça-feira devia ser conhecido o país organizador, tal como ficou acordado na reunião de 25 de Janeiro, capital do Mali, Bamako. No entanto, ausência de países interessados deixa a FIBA África de mãos atadas.

O órgão reitor não mais falou no assunto, no seu site não há uma única referência em relação ao próximo país a acolher o Afrobasket. A Côte d´Ivoire acabou por desistir depois da crise política pós eleitoral.

Na reunião do dia 25, a FIBA África concedeu até ao dia 15 de fevereiro (esta terça-feira) para a Côte d´Ivoire formalizar a sua desistência ou garantir a realização da competição, na mesma altura em que pensa no plano B.

O representante da federação de basquetebol da Côte d´Ivoire, Florent Bah, presente nesse encontro afirmou que o principal pavilhão, em construção em Abidjan, só devia estar concluído em Novembro de 2011 e não havia segurança para a competição.

Senegal e a Nigéria ofereceram-se para organizar a prova, mas não tem infra-estruturas à altura da competição. Os dois países teriam de construir novos pavilhões, sendo que o Afrobasket realiza-se em Agosto, é quase impossível que a FIBA os aceite.Angola seria o país desejável para a FIBA África, mas o executivo angolano não tem manifestado qualquer interesse em acolher a prova, depois de já o ter feito em 2007.

Aliás, a Federação Angolana de Basquetebol (FAB) não se candidatou para acolher o campeonato e só uma acção diplomática dos altos dirigentes da FIBA podiam comover o executivo angolano a aceitar o encargo.

Os responsáveis da FAB apesar de não terem apresentado qualquer candidatura, acham que a melhor garantia para se estar presente nos Jogos Olímpicos de Londres é organizar o Afrobasket.

Essa situação apanha o executivo desprevenido, pois em menos de cinco anos o país organizou todas as grandes competições africanas. O Afrobasket em 2007, o CAN de Andebol em 2008 e o CAN de futebol em 2010. Qualquer uma dessas competições engoliu milhões dos cofres do estado, em particular a Taça das Nações Africanas em Futebol cuja construção dos estádios consumiu mais de meio milhão de dólares, além de outros gastos para questões de logística como a transportação de algumas selecções, alojamento de centenas de convidados entre outros.

Porquê Angola? Os países da África do Norte tem sido os principais organizadores, mas as convulsões sociais que assola quase todos coloca os responsáveis do órgão reitor do basquetebol africano com as mãos na cintura.

A Tunísia, que já organizou a prova em 1965 e 87, pretendia fazê-lo pela terceira vez, mas a convulsão social que derrubou o regime do presidente Ben Ali acabou tirar esse país da lista da FIBA.

O Egipto seria o país organizador na hipótese de não existir qualquer um interessado, mas a crise que se iniciou na Tunísia estendeu-se rapidamente para esse país, culminado com a demissão do presidente Hosni Mubarak.

Essa situação também impede a realização do Afrobasket naquele país, ainda que a prova se realize apenas em Agosto. O Egipto é aliás o que mais vezes organizou essa competição. São seis no total incluindo a primeira edição, em 1962. Marrocos por três também foi anfitrião, Argélia, tal como a Tunísia, já acolheu por duas vezes.

Na África Subsariana, Senegal e Angola são os países que assíduos. O desejo da FIBA de organizar o Afrobasket em Angola prende-se com a existência de mais de quatro pavilhões recém construído em cidades diferentes.

Qualquer um desses pavilhões carece, no entanto, de uma ligeira reabilitação, particularmente no seu interior, o que custaria mais centenas de dólares aos cofres do Estado. O pavilhão da Cidadela, principal sala, é o que mais trabalho necessita.

Os seus balneários estão inutilizáveis e não respondem as recomendações da FIBA, quer em termos de dimensão quer de qualidade. O tecto precisa outra vez de ser visto, depois remodelado na totalidade. Em 2007, o Pavilhão da Cidadela engoliu cerca de cinco milhões de dólares do Estado para sua reabilitação. Beneficiou de um tecto novo, quadra reabilitada e pintada e novos assentos.

Três anos depois, se o executivo angolano recuar na decisão, terá outra vez de gastar dinheiro para remodelação quase completa do Pavilhão da Cidadela, desde o tecto até aquisição de novas tabelas.

A realização do CAN2010 consumiu aos cofres do Estado mais de seiscentos milhões de dólares só para a construção dos quatro estádios nas cidades de Luanda, Benguela, Cabinda e Huíla.

E essa pode ser a razão do fundo para esta manifesto desinteresse do executivo para acolher a prova, apesar dos clamores do Gustavo da Conceição, presidente da Federação Angolana de Basquetebol.

Para muitos adeptos e ex-dirigentes da Federação de basquetebol não há justificação convincente para Gustavo da Costa solicitar ao executivo a realização dessa prova.

Uma dessas pessoas é BI Figueiredo, ex-secretário geral da FAB, que se opõe a realização da competição.

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