Jogos Africanos sobem taxas de ocupação hoteleira mesmo com pouco turistas

14 de Setembro 2011, 16:17

Os X Jogos Africanos estão a garantir taxas de ocupação "na ordem dos 98 por cento" nas unidades hoteleiras de Maputo, apesar não terem atraído um significativo número de turistas à capital moçambicana.

"Estamos com os quartos quase lotados. Os hotéis estão com uma taxa de ocupação muito alta, na ordem dos 98 por cento", disse à Lusa Vasco Manhiça, vice-presidente da Associação de Hotéis do Sul de Moçambique (AHSM).

O número de pessoas que compõem as delegações dos quase 50 países que estão a disputar os X Jogos Africanos obrigou os hoteleiros a encontrar soluções para a elevada procura de quartos que se tem registado.

"Há dias que temos de encaminhar os hóspedes para outros hotéis. Existe uma espécie de sinergia entre todos os hotéis", disse Manhiça.

Segundo o responsável da AHSM, os hóspedes que têm procurado as unidades hoteleiras que representa estão ligados, direta ou indiretamente, às delegações dos países que participam nos jogos, explicando a sua perceção de que poucos turistas visitaram o país no âmbito do evento.

"Os clientes que conseguimos identificar estão ligados às comitivas. Não temos muitos clientes que vieram assistir aos jogos", disse.

Esta perceção foi, de resto, confirmada por várias pessoas inquiridas pela Lusa, como foi o caso de taxistas e vendedores de rua, que dizem não ter notado um aumento do volume de negócios durante o evento.

"Credenciei o meu táxi para poder levar clientes para os jogos, mas até agora ainda não fui uma única vez à Vila Olímpica", disse à Lusa António Langa, 47 anos, taxista da cidade de Maputo.

"Não temos tido movimento de turistas, os nossos clientes são os mesmos de sempre", afirmou Manuel Lopes, 32 anos, condutor de 'txopela', motociclo de transporte de pessoas.

"É difícil dizer, porque o meu negócio depende um pouco da sorte, mas não me parece que esteja a vender mais do que o habitual. O mês de agosto, por exemplo, foi melhor", contou à Lusa Leonel Mondlane, 26 anos, vendedor de artesanato.

Apesar das queixas relativas à falta de negócios, todos os entrevistados mostraram-se satisfeitos com a organização de Moçambique dos Jogos Africanos, apontando a importância do evento para o crescimento do país.

"O nosso país está a crescer, estou a gostar de ver os Jogos Africanos", afirmou, entre um sorriso rasgado, Daniel Costa, 36 anos, vendedor ambulante de doces.

"Houve enormes ganhos para Maputo, estamos a falar de uma cidade que depende da organização de eventos", concluiu Vasco Manhiça.

A X edição dos Jogos Africanos, que conta com a participação de 46 países, termina no próximo domingo, dia 18 de setembro.

SAPO/LUSA

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