Selecção de futebol de Cabo Verde, que futuro?

2 de Agosto 2011, 11:59

“As coisas não são difíceis de fazer, o difícil é nos dispormos a fazê-las." Constantin Bracusi

Acabo de assistir a vitória da Suíça perante a favorita Espanha, com um golo do cabo-verdiano Gelson Fernandes, parece ironia mas há sensivelmente três semanas, o treinador da Espanha alertava para o excesso de confiança da nação espanhola para com a sua selecção e apontava como exemplo o jogo de Portugal com Cabo Verde, onde os lusos foram incapazes de ultrapassar Fock.
Com o jogo e o merecido empate com Portugal, a Selecção cabo-verdiana de futebol, projectou-se por patamares nunca antes atingidos, pelos menos em termos de projecção e visibilidade internacional. Certamente que este momento será bem “explorado” pelo Federação de Futebol que irá capitaliza-lo e tirar todos os devidos dividendos.
Mas cabe somente à Federação correr atrás de um sonho de todos os cabo-verdianos? Claro que à Federação cabe o principal papel, que dentro das limitações tem desempenhado e bem essa função. Com erros, mas também a Federação Portuguesa, que é 100 % profissional, erra.
Se me é permitido opinar, penso que a estratégia deverá passar por um maior aproveitamento dos muitos emigrantes cabo-verdianos. Cabo Verde pela sua história sempre tirou partido do trabalho dos emigrantes, que tem orgulho em trabalhar para o desenvolvimento da sua terra natal e no futebol é onde se sente ainda mais essa vontade em ajudar a vencer, esse orgulho em ser cabo-verdiano.
É necessário criar redes de detecção e acompanhamento dos jovens futebolistas cabo-verdianos pelo mundo fora, para que sejam descobertos ainda jovens e criar mecanismos para que sejam inseridos nas selecções de formação de Cabo Verde.
Mas para isso é necessário haver condições, haver uma aposta clara dos governantes, pois sozinho a Federação nunca irá conseguir colocar Cabo Verde numa CAN e muito menos pensar em outros voos.
É necessário haver um envolvimento de toda a sociedade civil, da camada empresarial, e mais importante ainda da comunicação Social.
É inadmissível que nos dias antes do jogo com Portugal, em toda a imprensa escrita e falada cabo-verdiana, haver mais notícias e informações sobre a selecção lusa do que da própria selecção de Cabo Verde. Não é aceitável, alguns jornais de Cabo Verde apenas informarem sobre os campeonatos estrangeiros. Pergunto se não houve matéria para notícia durante o estágio da selecção de Cabo Verde. Claro que houve e muitas. Será que os dirigentes, treinadores e jogadores que fazem as competições internas de Cabo Verde, não merecem um espaço de informação? Claro que sim.
Enquanto a generalidade da comunicação social de Cabo Verde se mantiver com essa atitude passiva perante a nossa selecção, nunca os cabo-verdianos sentirão realmente a sua selecção e muito menos conseguiremos fazer com que a selecção de Cabo Verde seja um espaço atractivo para a divulgação de imagem de qualquer empresa.
É a informação que cria as estrelas e que cria os ícones da juventude e da sociedade.
A selecção é de todos os cabo-verdianos e certamente que se os governantes disponibilizarem condições, se a federação continuar a melhorar cada dia mais a sua organização, se a sociedade civil colaborar cada um a sua dimensão e se a comunicação social for mais activa, os cabo-verdianos poderão sonhar com os pés assentes no chão e acreditar na NOSSA SELECÇÃO.
PS - Num curto espaço de tempo, Cabo Verde e São Vicente perderam dois campeões, cada um a sua maneira, mas dois campeões, Tchida e Sr. Dul. Com a perda dessas figuras, o nosso desporto ficou mais pobre mas acima de tudo com um grande vazio. Ninguém é insubstituível, mas a ausência de referência desportivas na nossa actual sociedade é preocupante.

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